20/12/2016 - Religiões de mãos dadas por um 2017 de paz e tolerância

Em clima de confraternização e alegria, os servidores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA) participaram, na manhã desta sexta-feira (16.12), do V Encontro Inter-Religioso, que contou com a participação do líder muçulmano Sheik Ahmade (islamismo), da ialorixá Mãe Jaciara (candomblé), de José Medrado (espiritismo), da ialorixá Mãe Taiane Macedo (umbanda), do padre Manoel Filho (catolicismo) e do pastor Marcos Paulo do Nascimento (Igreja Evangélica).

A abertura do evento, dirigido pelo mestre de cerimônias Elson Queiroz Ramos, o Cabo Elson, foi marcada pela exibição de um videoclipe com a canção “Life Gods”, composição de Gilberto Gil e Marisa Monte que expressa o nome de Deus e de outras divindades em 77 línguas. O evento foi aberto oficialmente pelo presidente do TCE/BA, conselheiro Inaldo da Paixão Santos Araújo, que deu as boas-vindas aos servidores com uma breve mensagem de união e solidariedade:

“O tempo é de confraternização. Então vamos pensar de forma positiva e nos confraternizar de mãos dadas!”, disse o conselheiro, anunciando um dos momentos mais belos do encontro: “Temos uma surpresa para vocês. Olhem sob o assento e peguem a sua lembrança”, incentivou o presidente, enquanto os servidores apanhavam, encantados, o mimo oferecido: um delicado cacto. “Esta planta é um exemplo de perenidade. Ela simboliza a adaptabilidade, a resistência que todos nós precisamos ter em nosso dia a dia para seguir confiantes na nossa missão”, disse o conselheiro-presidente. Dando sequência à programação, os representantes de cada religião fizeram as suas explanações considerando os temas fé, respeito, tolerância religiosa e festejos de fim de ano. Cada um deles recebeu um certificado de participação, além de uma orquídea branca, simbolizando a paz. O evento contou ainda com o brilho do Coral Vozes do TCE/TCM, que entoou as canções natalinas Noite Feliz, Boas Festas e Sino de Belém. O encontro foi encerrado com o sorteio de brindes promovido pela Asteb.

Confira aqui a mensagem do presidente "Tempo de Confraternização".

APRESENTAÇÕES

“O islã é a religião da paz. O nosso objetivo é a paz. Nós, seres humanos, temos os lados positivo e negativo. As religiões existem para nos ajudar a combater o lado ruim e nos ensinar a nos tornarmos pessoas melhores, vivendo em paz! Respeitar a todos, saber conviver e buscar sempre a convivência em paz. Este é o caminho. Os islamismo não comemora o Natal, mas em nosso livro sagrado o nome de Jesus aparece 24 vezes como o profeta da paz. A nossa religião diz que é possível pedir o perdão e reconstruir coisas boas. Mas, para isso, é necessário uma mudança dentro de nós. Desejo a todos um 2017 de muita paz!”
Sheik Ahmade, líder muçulmano

“Não existe religião melhor que outra. A melhor religião é aquela que torna as pessoas melhores. O candomblé celebra a reunião da família. Temos avançado em muitos aspectos, mas o que se percebe é muita falta de amor no mundo, muita gente perdida. É momento de reconstruirmos um mundo melhor. A essência da nossa Casa é trazer o equilíbrio e a união entre as pessoas. Desejo que este Tribunal, que é a Casa de vocês, possa desempenhar o seu papel não só no âmbito do controle, mas também de seguir o caminho do respeito aos cidadãos”.
Mãe Jaciara (candomblé)

“O Natal, para o cristão, deve ser de desprendimentos e propostas. Mas uma proposta efetiva de reconhecer no outro o irmão que de fato o outro é. Não de uma proposta de aliciamento para esta ou aquela religião. Eu não reconheço o Cristo que discrimina. Esse não é o meu Cristo. Eu reconheço o Cristo que abraça a todos. Façamos deste Natal um Natal de propostas. Hoje, troquem com a pessoa ao lado o cacto que receberam. Vivam esse momento de troca e desprendimento”.
José Medrado (espiritismo)

“A umbanda é uma religião tipicamente brasileira, que sofre a influência das três raças. A nossa religião fez 108 anos, é relativamente muito jovem em relação a outras religiões. A minha mensagem é simples: amar ao próximo como o Pai manda. Dando continuidade a esse ritual, peço a todos que se levantem e, diante dos cactos que receberam, mentalizem valores espirituais como amor, paz, saúde e humildade. E que isso simbolize tudo de bom para vocês em 2017”.
Mãe Taiane Macedo (umbanda)

“Como é bom ver os irmãos tão unidos! É bom sentir que somos, maravilhosamente, gente. Certa vez falei para um orientador espiritual que eu estava fazendo terapia, e ele me disse: Olhe, a palavra ajuda, mas só o amor cura. Desde então sinto que não devemos tolerar, mas sim amar. Esse cacto que vocês receberam tem pequenos espinhos. Mas se tocarmos delicadamente nos espinhos, podemos tranquilamente conviver com eles. Até nos espinhos, se tocarmos com delicadeza, podemos acarinhar e fazer um instrumento de comunhão. Assim é a relação com o outro. Se tratamos o próximo com delicadeza, é mais fácil conviver com seus espinhos. Deus é amor, e quem ama está em Deus”.
Padre Manoel Filho (catolicismo)

“Nesta época do ano, nos sentimos mais inclinados à prática do bem e devemos levar esse sentimento por todo o ano que virá. Viver é uma dádiva, que, segundo o compositor Belchior, é melhor que sonhar. Devemos manter sempre acesa a luz que nos acompanha. Todos temos o direito de ser quem somos sem sofrer preconceito pela forma que vivemos. Devemos garantir que a nossa luz brilhe no mundo. Um grande milagre deve acontecer na nossa vida. Devemos receber as bênçãos que nos alcançam a cada dia no próximo ano. Viver é um grande milagre. Que um grande milagre aconteça aqui”.
Rabino Luciano Ariel Gomes (judaísmo)

“Este encontro é a leitura perfeita daquilo que, para mim, é a definição de Estado laico. Estado laico não quer dizer Estado anti-religioso. É o Estado que não tem uma convenção religiosa oficial, um Estado plural do ponto de vista religioso. Eu fico muito feliz por ter esta oportunidade de estar aqui. Todas as reflexões aqui são muito pertinentes. Nós não fomos feitos para o tempo. Fomos feitos para a eternidade. É exatamente baseado neste princípio que todo final de ano, diante da possibilidade de fazer diferente, eu me abraço na fé em Jesus para instrumentalizar as minhas ações no sentido de fazer cada vez melhor. Este ano de 2016 foi maravilhoso para os evangélicos porque comemoramos os 499 anos da Reforma Protestante. Que neste ano que se aproxima, possamos superar os dramas e desafios da vida com fé. A fé haverá de produzir tolerância, que torna a vida mais palatável”.
Marcos Paulo do Nascimento (Igreja Evangélica)

Confira aqui mais fotos do evento.


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